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O Instituto Butantan, em São Paulo, começou a terceira fase de testes de uma vacina contra a dengue. Dezessete mil voluntários vão receber a dose única.
Parte dos voluntários, da última fase de testes da vacina contra a dengue, recebeu a dose no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ao todo, 17 mil pessoas, de 13 cidades das cinco regiões do país, participarão dos testes.
Poderão ser voluntárias, pessoas de dois a 59 anos, saudáveis, que tenham tido dengue ou não. Dois terços delas vão receber a vacina e o restante, placebo, que é uma substância sem efeito.
Se os resultados forem positivos, como esperam os pesquisadores, o Brasil poderá produzir as doses para imunizar cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo.
Em um contrato assinado na segunda-feira (22), o Governo Federal se compromete a investir R$ 100 milhões nesta fase, que deve durar um ano. O custo total está orçado em R$ 300 milhões e a outra parte dos recursos pode vir do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do BNDES.
As pesquisas vão além. O Butantan já estuda transformar a vacina contra a dengue para que ela previna também o vírus da zika. Em outra frente, os cientistas trabalham em uma vacina exclusiva contra a doença e uma terceira opção é desenvolver um soro para tratar pacientes com zika. Para isso, o instituto recebeu ainda R$ 8,5 milhões.
Sob pressão da sociedade brasileira e diante de uma missão crucial em meio à epidemia de zika vírus, Jorge Kalil, presidente do Instituto Butantan, um dos principais centros que buscam a vacina contra o vírus, diz que até agora não recebeu recursos do Ministério da Saúde para bancar o projeto.
Segundo o imunologista seriam necessários R$ 30 milhões para esta fase inicial do trabalho que poderia ser concluído em até três anos, mas apesar dos anúncios feitos no dia 15 de janeiro, quando o laboratório recebeu a visita do ministro da Saúde, Marcelo Castro, até agora não houve repasses.
"O início do projeto é bem mais barato. Ele começa a ficar caro bem mais tarde. No começo, com R$ 30 milhões já avançaríamos muito. Isso não é nada. Tem compras que o Governo Federal faz de anticorpos no valor de R$ 1 bilhão", explica.
Na noite de quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff relembrou, em pronunciamento nacional, que ainda não existe vacina contra o zika vírus, e exortou a população a aderir ao que classificou como uma "luta urgente" contra oAedes aegypti, mosquito transmissor dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
Para Kalil, é necessário que a retórica se transforme em ações concretas. "Eu acho que no Brasil se fala muito se faz pouco. Eu acho que tinham que arrumar o dinheiro e deixar os cientistas trabalharem", diz, acrescentando que também há atraso no recebimento de R$ 300 milhões referentes à última fase de testes da vacina contra a dengue.
As verbas da vacina da dengue são compartilhadas pelo governo do Estado de São Paulo e o Governo Federal.
Consultado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde disse, por meio de nota, que o pré-projeto da vacina contra o zika vírus só foi enviado pelo laboratório após reunião realizada no dia 15 de janeiro.
"Todo esse processo está sendo acompanhado pela direção do Instituto Butantan e o documento vai prever ainda recursos para a fase final da vacina contra a dengue", acrescenta a nota, destacando que o órgão repassa ao instituto o equivalente a R$ 1 bilhão por ano para aquisição de vacinas e soros, além dos valores de investimentos em tecnologia.
Quanto ao valor de R$ 30 milhões citado por Kalil, o Ministério da Saúde disse que "qualquer investimento público em tecnologia deve seguir um trâmite e isso está sendo feito com muita agilidade, devido à prioridade do tema, mas que os valores só poderão ser divulgados na conclusão do projeto".
Já o governo do Estado de São Paulo informou à BBC Brasil, também por meio de nota, que não faltarão recursos estaduais para os testes clínicos e demais etapas de desenvolvimento da vacina da dengue.
"Tanto que, no primeiro semestre de 2015, o governo paulista encaminhou à Anvisa pedido para antecipar a fase 3 dos testes clínicos, visando acelerar o processo e disponibilizar a vacina para campanhas de imunização em massa no Brasil o quanto antes. Entretanto o órgão federal somente aprovou esta solicitação em dezembro", acrescenta a nota.
Veja os principais trechos da entrevista:
BBC Brasil – Em que estágio se encontra a busca pela vacina contra o zika vírus no Instituto Butantan? Há parcerias com outras instituições?
Jorge Kalil – O trabalho se encontra em estágio inicial. Trabalhamos há muitos anos com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), e com o Instituto Pasteur, de Paris, e para algumas coisas que eu quero fazer nós também vamos colaborar com o Laboratório Federal de Los Alamos, que fica nos EUA. Existem várias linhas de atuação que nós queremos trabalhar. Uma é a vacina, que tem várias maneiras de fazer, a segunda é a produção de anticorpos, que podem servir tanto para tratamento quanto para diagnóstico. Também atuamos na busca por um teste sorológico, e uma quarta linha de atuação, com a George Washington University, também dos EUA, trabalha na história natural da doença.
Esta última frente busca responder perguntas importantes. Temos que saber como esse vírus chega e desperta uma resposta imune, e sabemos que tem pouco vírus no sangue, e por pouco tempo. E depois? O vírus ainda fica no corpo da pessoa? No caso das mulheres, como é que transmite para a placenta? Quanto tempo o vírus fica no corpo até ser completamente eliminado? Várias perguntas que temos que fazer e que não vão resultar num produto imediato mas vão guiar os produtos que nós temos que fazer.
BBC Brasil – O Instituto Butantan está ligado ao Estado de São Paulo. Mas quais são as fontes de financiamento para os projetos? O senhor já recebeu recursos do Ministério da Saúde para acelerar a vacina contra o zika vírus?
Kalil –Na verdade recebemos muito pouco recurso do Estado de São Paulo. Nos inscrevemos em financiamentos de pesquisa, sejam da Fapesp, BNDES, Finep, e agora o Ministério da Saúde prometeu que vai dar recursos diretamente para o Butantan para desenvolver muitos desses projetos contra o zika, e o ministro Marcelo Castro me prometeu que não faltarão recursos para que a gente faça essas pesquisas, mas por enquanto ainda não chegaram. Em relação aos recursos para a fase 3 da vacina de dengue, que inclui testar a vacina em 17 mil pessoas em 14 centros espalhados pelo país, no valor de R$ 300 milhões, por enquanto também não tenho nada, por enquanto só tenho promessas.
BBC Brasil – Há uma grande cobrança da sociedade brasileira sobre a busca pela vacina contra o zika, e o mundo está em alerta. Na sua opinião, o que emperra a liberação dos recursos necessários, apesar da situação emergencial?
Kalil - Eu estou trabalhando como eu posso, e tentando mostrar que a gente consegue fazer, apesar de todas essas adversidades. Agora, é muito complicado, e realmente tenho esperança de que o Ministério da Saúde vá desbloquear rapidamente este dinheiro. Mas o sistema é todo muito burocrático e muito lento, e muito politizado, o que é muito ruim, porque aí fica um monte de político prometendo e pouca gente fazendo.
Nós não temos capital de giro para executar todas essas frentes de trabalho. Estamos em plena produção de vacinas e temos que gastar primeiro, para depois receber. Eu preciso de agilidade para comprar insumos, contratar gente, comprar reagentes. E com o governo tudo é muito lento. Nós somos uma fábrica de vacinas, precisamos de agilidade para trabalhar, além de sermos um local onde se faz pesquisa, claro.
Precisamos de muita saúde financeira para fazer esses projetos da dengue e do zika, que são de interesse fundamental para o país e para a sociedade brasileira, e se não recebermos, vai atrasar. Nós produzimos grande parte dos soros e das vacinas do Brasil, que são tão importantes para as pessoas.
Tenho que comprar cavalos para imunizar, para fazer os antissoros. É muita coisa, e precisamos de dinheiro, não tem outra forma. Assim como para a fase 3 da dengue, eu tenho que ter recursos, senão esses projetos não vão andar.
BBC Brasil – É correto afirmar que o trabalho na busca pela vacina contra o zika vírus está parado, então, no Instituto Butantan?
Kalil - Parado não está, eu estou fazendo as coisas que dá para fazer. Fazendo isolados dos vírus, cultivando o vírus. Agora para eu cultivar o vírus em grandes quantidades eu tenho que ter dinheiro, porque os volumes se tornam maiores. O que eu posso fazer em volumes iniciais, menores, já estou fazendo.
BBC Brasil – De que valores estamos falando para que o projeto deslanche?
Kalil – O início do projeto é bem mais barato. Ele começa a ficar caro bem mais tarde. No começo, com R$ 30 milhões já avançaríamos muito. Depois, quando começam os ensaios clínicos, é que fica mais caro. Isso não é nada. Tem compras que o Governo Federal faz de anticorpos no valor de R$ 1 bilhão. A gente precisa desses R$ 30 milhões para começar o trabalho da vacina de zika e dos R$ 300 milhões para a terminar a vacina da dengue, e espero que esses recursos não atrasem. O Ministério da Saúde prometeu entregar.
BBC Brasil – Qual é a importância de não atrasar a fase final da vacina da dengue? Há aspectos da imunização que podem ser aproveitados para a vacina contra o zika vírus?
Kalil - Muita coisa pode ser aproveitada, porque os vírus são muito parecidos. Talvez a gente possa até fazer uma vacina de zika parecida com a da dengue. Utilizar até o vírus atenuado da dengue, inserir o gene que codifica para a proteína do envelope do zika e já termos a vacina em boa parte já feita, mas este trabalho já está atrasado por falta de recursos. Está tudo pronto, a vacina está pronta, mas falta a fase final de testes. Eu já tinha que estar vacinando, mas ainda não comecei a imunizar as pessoas. Temos os lotes de vacinas prontos, mas estamos esperando o recurso para a etapa clínica.
BBC Brasil – Quais são as estimativas realistas para que as duas vacinas cheguem à população, de fato? Tanto a de dengue como a de zika?
Kalil –Olha, eu acho que se eu conseguir ter o dinheiro e imunizar rapidamente as pessoas durante este ano, quem sabe até o final do ano eu já consiga provar que a vacina de dengue funciona. Quanto à de zika, vai precisar de mais tempo. Eu sei que é importante informar a população, mas na ciência você consegue prever somente um pouco dos passos, não completamente. Tendo em vista a nossa experiência acumulada com dengue, eu diria que se tudo desse certo, em três anos eu teria uma vacina já aprovada para o zika.
BBC Brasil – Na corrida pela vacina, o Ministério da Saúde anunciou dias atrás que o trabalho ocorre em três instituições brasileiras: Instituto Butantan, em São Paulo, Instituto Evandro Chagas, no Pará, e na Bio-Manguinhos, que pertence ao sistema Fiocruz, no Rio de Janeiro. Os grupos trabalham em conjunto ou cada um desenvolve sua própria vacina?
Kalil – Cada um está trabalhando no seu projeto, eles estão fazendo coisas semelhantes, mas vamos ver quem chega primeiro. São abordagens diferentes, mas colaboramos sim. É algo concomitante, estamos todos tentando chegar na vacina, e temos que nos ajudar para que isso ocorra o mais rápido possível.
BBC Brasil – Como tem visto a maneira como as autoridades têm gerido a crise trazida pela epidemia de zika vírus e os casos de microcefalia? Houve críticas, por exemplo, a declarações do ministro da Saúde, quando se referiu que o Brasil estava "perdendo a luta contra o Aedes aegypti".
Kalil - Eu acho que no Brasil se fala muito e se faz pouco. Eu acho que tinham que arrumar o dinheiro e deixar os cientistas trabalharem. Sobre o que o ministro disse, que reclamaram muito, eu acho que ele tem razão em dizer isso. Por que cientista diz a verdade e político tem que mentir? Eu acho que ele foi criticado muito mais por conta de interesses políticos.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Vacinação contra gripe começa em todo país; grávidas e idosos devem tomar
Do UOL, em São Paulo
Brasileiros que fazem parte dos chamados grupos prioritários --crianças
(entre seis meses e cinco anos), idosos (a partir de 60 anos),
gestantes e puérperas (mulheres que tiveram filhos nos últimos 45 dias),
indígenas, funcionários do sistema prisional e detentos, pessoas com
doenças crônicas e os profissionais de saúde pública-- poderão tomar a
partir desta segunda-feira (4) a vacina contra o vírus influenza,
causador da gripe, na rede pública de saúde. A campanha vai até 22 de
maio. A vacina é contra a gripe A H1N1, da pandemia de 2009, e outros dois tipos do vírus influenza, o A (H3N2) e o B.
Além delas, também estarão disponíveis vacinas contra difteria e tétano
e a pneumocócica 23-valente, contra pneumonia, meningite e
bacteremia/septicemia (infecção generalizada do sangue). Estas são para
idosos hospitalizados ou que moram em asilos e casas de repouso e pessoa
com doenças crônicas (cardiovasculares, pulmonares, renais, diabetes
mellitus, hepáticas e hemoglobinopatias) ou imunodeprimidas
(transplantados, com neoplasias e infectados pelo HIV), que devem levar
uma prescrição médica especificando o motivo da indicação da dose.
Serão disponibilizadas 54 milhões de doses para a imunização de 49,7
milhões de pessoas. Segundo o ministro da Saúde, não faltará dose em
nenhum posto de saúde brasileiro. Em razão das temperaturas mais
baixas registradas na região Sul, alguns postos em Caxias (RS) e em
Uruguaiana (RS) ficaram sem vacina porque, segundo a coordenadora do
Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, esperavam receber
número reduzido de pessoas em busca da imunização. "É uma acomodação do processo de vacinação, mas todos os 49 milhões de brasileiros têm a sua vacina garantida", disse.
"A vacinação contra o Influenza é fundamental para evitar complicações
decorrentes da gripe e doenças graves, como pneumonia", afirma Helena
Sato, diretora de Imunização da secretaria de Saúde de São Paulo, que
pretende vacinar 11,8 milhões de paulistas, ou 80% das 14,7 milhões de
pessoas que são o público-alvo da campanha. Segundo ela, a
vacina, produzida pelo Instituto Butantan, órgão ligado à pasta, não
causa gripe, pois "é composta apenas de partículas do vírus que são
incapazes de causar qualquer infecção". "A vacinação é
extremamente segura. Há um alerta apenas para pessoa com alergia a ovo
de forma severa e que devem procurar o médico para ter orientação
adequada", ressaltou Chioro. Neste ano, o Dia D da campanha será
no sábado (9), das 8h às 17h. De segunda a sexta, os postos de saúde
fixos ficarão abertos no mesmo horário. É importante levar aos postos de
saúde o cartão de vacinação e um documento de identificação.
Após a aplicação da dose podem ocorrer, de forma rara, dor no local da
injeção, eritema (sinal clínico, presente em várias patologias,
caracterizado por uma coloração avermelhada da pele ocasionada por
vasodilatação e enrijecimento. Os efeitos costumam passar em 48 horas.
A transmissão dos vírus influenza acontece por meio do contato com
secreções das vias respiratórias, eliminadas pela pessoa contaminada ao
falar, ao tossir ou ao espirrar. A doença também pode ser transmitida
pelas mãos e objetos contaminados. Os sintomas da gripe
incluem febre, tosse ou dor na garganta, além de dor de cabeça, dor
muscular e nas articulações. Já o agravamento pode ser identificado por
sintomas como falta de ar, febre por mais de três dias, piora de
sintomas gastrointestinais, dor muscular intensa e prostração. (Com
Agência Brasil)
Vacina
pode ter efeitos colaterais. VERDADE: Os efeitos colaterais mais comuns
são dor no braço, vermelhidão e inchaço onde foi aplicada a vacina.
Também podem ocorrer febre ou mal-estar passageiro. Em alguns casos, a
pessoa pode apresentar sintomas parecidos com os da própria doença. Isso
acontece pelo fato de a vacina ter em sua composição um vírus
enfraquecido, mas incapaz de transmitir a enfermidade. Em casos mais
extremos, porém muito raros, pode causar choque anafilático Thinkstock
Veja sintomas, formas de prevenção e outras informações sobre a gripe A (H1N1)13 fotos
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O
QUE É - A influenza A (H1N1) é uma doença respiratória aguda (gripe),
causada pelo vírus A (H1N1). Este novo subtipo do vírus da influenza é
transmitido de pessoa a pessoa principalmente por meio da tosse ou
espirro e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. O
surgimento da doença foi registrado inicialmente em 2009, no México, e o
vírus ainda circula no mundo todo CDC
Vacina contra doença que mata uma criança por minuto chega a fase final de testes
24 abril 2015
Malária mata mais de 500 mil crianças por ano no mundo - o equivalente a uma a cada minuto
Novos
testes de uma vacina contra a malária produziu resultados animadores
chegando à fase final de testes – a primeira a atingir este estágio –
mas também produziu demonstrações de desapontamento com o grau de
efetividade aquém do ideal.
Nos experimentos, a droga RTS,S/AS01
ofereceu proteção parcial a um grupo de 16 mil crianças de sete países
africanos. Mas não foi efetiva em bebês de até três meses de idade,
afirmaram os autores do estudo na revista científica britânica The Lancet. A malária mata mais de 500 mil crianças no mundo, o equivalente a uma a cada minuto. No
Brasil, segundo a OMS, o número de casos de malária tem diminuído,
tendo sido registrados em 2014, 178 mil casos, que levaram a 41 mortes.
Leia mais: Pesquisa indica por que mosquitos picam algumas pessoas mais que outras
Leia mais: Mosquitos 'do bem', contra a dengue, à solta no Rio
Leia mais: Um dia na vida de um 'inspetor da dengue' em São Paulo Apesar do desempenho limitado, os cientistas salientaram que a droga é a vacina estágio clínico mais avançado disponível. "O
desenvolvimento desta vacina continua sendo importante", disse o
coordenador do grupo de trabalho sobre malária da organização Médicos
Sem Fronteiras, Martin de Smet. "Posso ver o uso dessa vacina
especialmente nos países onde a malária é um mal permanente, onde as
crianças têm em média cinco, seis, sete episódios de malária por ano. Assim,
mesmo que vacina ofereça, digamos 30% de proteção, se você traduzir
isto em número de crianças salvas e em número de episódios de malária
evitados, claro que (a vacina) é uma contribuição significativa para o
controle da malária", afirmou o especialista.
Leia mais: Testes com nova vacina indicam proteção total contra vírus HIV
Leia mais: Surto de dengue esvazia cartão postal de Tóquio Mas
ele afirmou que os resultados são "desapontadores". "Tínhamos muita
expectativa em relação a essa vacina e o nível de proteção que ela
proveria. Está sem dúvida abaixo do que esperávamos."
Ciclo do parasita transmitido pelo mosquito é complexo e resiste ao sistema imunológico humano
Alguns cientistas receberam o resultado dos testes com reserva. Para o professor Adrian Hill, da Universidade de Oxford, a droga é um "marco", mas deixa muitas questões em aberto. "Pelo
fato de a vacina ter um efeito tão curto, o reforço é importante - mas
não tem a mesma efetividade das primeiras doses", afirmou. "Mais
preocupante é o indício de um repique na propensão a malária: após 20
meses, as crianças vacinadas que não receberam o reforço tiveram um
aumento no risco de contrair malária grave nos 27 meses seguintes,
comparadas com as crianças não-vacinadas." Outros especialistas
pediram que o custeio da vacina não implique reduções de investimento em
medidas preventivas, como a distribuição de redes anti-mosquito.
Jefferson tem prisão decretada mas sem dia certo para dormir na cadeia
CORREIODOBRASIL22/02/2014 07h00
Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da Ação Penal (AP) 47, o ministro Joaquim Barbosa expediu, no início da noite desta sexta-feira, o mandado de prisão de Roberto Jefferson, delator do caso que ficou conhecido na mídia conservadora como ‘mensalão’, ou ‘mentirão’, segundo alcunha talhada pela colunista Hildegard Angel. Na versão de Jefferson, havia um esquema de compra de apoio político no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O líder do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi condenado a mais de 7 anos por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. À época, Jefferson era deputado federal e presidente do PTB. Jefferson admitiu ter recebido propina do esquema, mas teve a pena atenuada pela Corte por ter denunciado o caso. Segundo a assessoria do STF, Jefferson cumprirá pena em regime semi-aberto mas não há detalhes sobre quando será efetivamente preso. O julgamento resultou na condenação de 25 réus, dentre eles lideranças petistas da época, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Na próxima semana, o Supremo deve iniciar a votação de embargos infringentes do processo, recurso que questiona condenações pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Multa paga Jefferson disse a jornalistas, na véspera, que espera o apoio de amigos e líderes da legenda para o pagamento de multa superior a R$ 700 mil. Inferior a de José Dirceu, aliado na época e hoje um dos maiores inimigos do petebista, que conseguiu, com doações de militantes, cobrir a multa de mais de R$ 900 mil. Até as 12h desta sexta-feira, foram recebidos e conferidos 2.993 comprovantes de doações, atingindo o valor de R$ 932.894,32, aí incluídos os R$ 143 mil transferidos da campanha de Delubio Soares, ex-tesoureiro do PT e um dos réus na AP 470. Militantes da legenda, ainda no início da noite, avisaram do encerramento das atividades do site, aberto exclusivamente para receber doações para Dirceu. “Trata-se de uma enorme vitória da solidariedade e da luta por justiça. José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e José Dirceu tiveram suas multas assumidas por um esforço militante e cidadão de admiráveis proporções”, escreveu, em uma rede social, o jornalista Breno Altman.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Fevereiro pode definir o rumo de 2014
3/2/2014 13:33 Por Antonio Lassance - de Brasília
O Congresso, com uma pauta extremamente polêmica e, por isso mesmo, com dificuldades de acordo, corre o risco de atravessar o mês paralisado
O mês promete ser animado e cheio de surpresas na política. Fevereiro tem ingredientes mais que suficientes para dar a embocadura do ano de 2014. É possível dizer que fevereiro, junho (mês da Copa) e outubro são os três meses cruciais da presidência Dilma Rousseff. Em fevereiro, Dilma promove sua reforma ministerial e busca, com isso, consolidar as alianças favoráveis à sua reeleição em 2014. O Congresso, com uma pauta extremamente polêmica e, por isso mesmo, com dificuldades de acordo, corre o risco de atravessar o mês paralisado. Se houve dificuldades sobretudo com a Câmara no ano passado, neste ano os problemas tendem a ser ainda mais difíceis de serem equacionados. No Supremo, a novidade é o andamento do mensalão tucano. O ministro relator do caso, Luís Roberto Barroso, abrirá oficialmente em fevereiro o prazo para a defesa dos acusados. Respondem junto ao Supremo apenas o deputado Eduardo Azeredo (do PSDB-MG) e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG). Ao contrário da AP-470, em que todos os réus responderam junto ao Supremo, o processo do mensalão tucano foi desmembrado. A maioria dos acusados responderá na Justiça de primeira instância. O ministro Celso de Mello é o ministro revisor do caso. O julgamento do mensalão tucano faz o contraponto com o escândalo atribuído aos petistas. De todo modo, ainda estão pendentes de decisão, sobre a AP-470, a expedição dos mandados de prisão do deputado João Paulo Cunha e do ex-deputado Roberto Jefferson. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, já se manifestou pela prisão de Jefferson em estabelecimento prisional, negando inclusive a prisão domiciliar. Os desdobramentos do caso de João Paulo Cunha no Supremo se refletirão na Câmara, que aguarda a decisão do STF para dar início ao processo de cassação do deputado. Ao mesmo tempo, é bom lembrar que ainda há de ser concluído o julgamento dos réus do mensalão pelo crime de formação de quadrilha, o que pode elevar a pena e alterar o regime de prisão de alguns dos réus, como no caso do ex-ministro José Dirceu. Outra questão central do mês de fevereiro é a do reajuste das tarifas de transporte coletivo. O Rio de janeiro e Porto Alegre têm possivelmente a situação mais crítica, pois pretendem realizar reajustar ainda neste mês. O prefeito da capital fluminense anunciou que as passagens terão reajuste no dia 8 de fevereiro. Antes disso, diversos grupos promoverão, no dia 6, manifestações de protesto contra o aumento das tarifas. O prefeito de São Paulo, por sua vez, declarou que não haverá aumento. Da mesma forma fez o prefeito de Salvador. Em Curitiba, apesar da intenção da prefeitura de promover reajuste em 2014, o Tribunal de Contas determinou, ao contrário, que a tarifa seja reduzida. De todo modo, a decisão do Tribunal pode se tornar o próprio mote dos protestos. Em Belo Horizonte, também já ocorreram mobilizações no mesmo sentido: forçar a redução da tarifa. A tarifa chegou a ser reduzida, no ano passado, mas as intermunicipais foram elevadas em mais de 6%. Na Bahia, também são as passagens de ônibus intermunicipais que estão sofrendo maiores reajustes. As prefeituras de outras cidades, como Vitória, postergaram a decisão sobre o reajuste. O mês, portanto, promete ser um teste para avaliar em que medida podem ocorrer protestos da mesma dimensão e intensidade dos que ocorreram em 2013. A consequência desse quadro deveria ser a retomada das discussões no Congresso para encontrar soluções de aumento dos subsídios e redução das tarifas de transportes nas cidades. No entanto, o quadro de desavenças no Congresso torna pouco provável que isso aconteça, a não ser que os protestos ameacem mais uma vez ganhar volume e intensidade suficientes para apavorar os parlamentares e estimulá-los a retomar a pauta prioritária surgida, no ano passado, justamente a partir dos protestos. O impasse se revela uma boa oportunidade para a presidência Dilma retomar uma ofensiva no Congresso, priorizando tal questão. Não deixaria de ser uma pauta positiva capaz de suplantar outras que, potencialmente, são consideradas explosivas, como é o caso das propostas de emenda à constituição que estabelecem pisos salariais nacionais para várias categorias. Mesmo o marco civil da internet pode se tornar um problema. Apesar da prioridade do governo Dilma em defesa da proposta de marco civil, ela tem grandes chances de ser derrotada pela aliança do PMDB com partidos de oposição, que ameaçam retirar pontos considerados centrais, como o da neutralidade da rede. Enquanto isso, os candidatos da oposição só devem de fato apresentar novidades em março. A definição de Marina como vice de Eduardo Campos ainda depende do desenrolar das negociações entre PSB e Rede sobre o candidato próprio em São Paulo. Aécio jogou para março o lançamento de sua candidatura. Embora todos já saibam que ele é o candidato do PSDB, o tucano diz que a candidatura “pode” ser lançada só em março. Ainda assim, não de forma oficial, mas oficiosa. Enfim, fevereiro promete ser animado e cheio de surpresas. O mês tem ingredientes mais que suficientes para dar a embocadura do ano de 2014. Antonio Lassance, é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política